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domingo, 19 de setembro de 2010

Tübingen

16.09 Hanna me levou de carro para Tübingen para a nova parada da viagem. Chegamos de tarde e havia uma feira sendo montada pelas ruas da cidade. Uma feira franco-ítalo-alemã. Bandeirinhas dos três paises espalhadas pela cidade e um clima de festa começando a ser criado com as barracas que ofereciam de tudo um pouco. Salames, perfumes, fotografias, flores, artesanatos diversos, vinhos, azeites e a vontade era de passar com um carrinho para levar um pouco desse tudo.

flores de alcachofra como nunca tinha visto

vista do rio Neckar em Tübingen

Fizemos uma rápida visita ao Dojo de Ali Nasseri quem me receberia mais tarde para conversar e em seguida participar do treino da noite. Deixei minhas malas por lá e fomos circular pela cidade. Uma pausa para um breve cochilo na casa de Alexandra, filha de Gunter e Hanna, que estuda biologia em Tübigen e andou viajando pelo Pantanal no Brasil. Ao chegar ao Dojo, Ali me convidou para um café para aguardarmos o momento do treino conversando um pouco. Pude falar da minha viagem, de Aiki-Extensions e tudo para ele era novo pois minha chegada na cidade esta sendo, digamos, uma surpresa! Minha surpresa foi na volta ao Dojo quando ele me pediu para conduzir o treino para seus alunos. Mais que mostrar técnicas mostrei o que gosto de treinar: alta conectividade entre parceiros. A partir dessa boa conexão tudo acontece e as técnicas surgem naturalmente. E para terminar uma foto clássica com o grupo. Depois Ali e eu

com Ali Nasseri, meu anfitrião

17.09 Ali nasceu no Irã e fez a sua vida na Alemanha. Me recebeu como um príncipe em sua casa num vilarejo próximo de Tübigen. A idade da casa: 700 anos. No passado era um estábulo onde no térreo os cavalos dormiam e no andar superior eram guardados os alimentos. A primeira pessoa que vejo na sala é Sara, sua pequena filha. Passamos a manhã juntos, café da manhã em casa, passeio pela feira que já estava repleta de barracas e uma manhã linda para curtir a romântica Tübinge, cidade onde nasceu Alzheimer. Na hora do almoço sua esposa Sílvia se juntou a nós para almoçar. De tarde uma pausa para vaguear só pela cidade e fazer alguns desenhos.


Sara e sua curiosidade por flores

De noite voltamos a nos encontrar todos para um último encontro. La Pasta Antica. Hanna reservou uma mesa. Foi uma hora boa para agradecer a essa turma que cuidou de mim em Schorndorf e Tübingen. Na hora do brinde eu apoiei o netbook no balcão e chamei a Daia pelo skype. De um jeito que ela parecia sentada conosco no restaurante vendo a todos e também sendo vista. Também se serviu de um taça de vinho e... Prost!

Alexandra e Hanna
vista da Daia, via skype, no jantar especial em Tübingen

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Schweinfurt e Schorndorf

13.09. Segunda. Cheguei no final do dia em Schweinfurt e logo liguei para Winfried Wagner que aguardava meu contato assim que chegasse. Conheci Winfried em 2005 no inesquecível seminário que aproximou aikidokas israelenses e árabes em Nicósia, "Training Across Borders". Estávamos lá como professores convidados por Aiki-Extensions para facilitar workshops durante o encontro que reuniu cerca de 100 pessoas. Inesquecível. Cheguei em tempo de tomar um banho, me instalar no quarto que ele e sua esposa Edith preparam para mim. Logo estava no tatame, no primeiro treino após as férias de verão. Depois de fazer o aquecimento e praticarmos um pouco ele me pediu para conduzir a próxima hora do treino para seus alunos. Só faltou uma fotografia para lembrar do Dojo e das pessoas com que treinei...

14.09, terça.De Schweinfurt segui no dia seguinte após o café da manhã para a próxima parada: Schorndorf. Fui de trem e logo encontrei meus novos anfitriões: Hanna & Günter. Também os conheci anos atrás em Washington na 6a. Aiki-Extensions Conference. Hanna lembrou de nossas conversas em francês e voltamos a praticar. Tomamos um café num terraço e logo estava acomodado na casa deles. Amabilíssimos comigo desde a primeira troca de emails algumas semanas atrás quando decidi incluir Schorndorf no meu roteiro. Nada melhor que chegar a um lugar novo e ser recebido com toda atenção e carinho.



15.09, quarta. Uma surpresa pela manhã. Hanna me apresentou um pacote de mate, uma cuia e uma bomba. Como brasileiro, ela tinha certeza que eu sabia como preparar o chimarrão... Bah! Que vergonha, tchê! Não fazia idéia da tecnologia toda fazer funcionar aquilo. Vedana, help! Chegando ao Brasil vou tratar de aprender a preparar o chimarrão para não pagar esse mico novoamente... De noite, Günter me levou para conhecer o grupo onde treina. Andreas, abriu o treino e me pediu para conduzir o treino. E tivemos duas horas de ótima sintonia com um grupo fantástico. De toda essa experiência de treinar em diferentes lugares o mais gostoso é a sintonia rápida e profunda que logo percebo entre todos no tatame. Show! Depois um pequeno grupo se reuniu num restaurante e já sabia o que pedir: Dunkel Weissbier!



terça-feira, 14 de setembro de 2010

Viagem para Schweinfurt

13.09. Segunda. Sai logo cedo com Thomas para começar minha viagem para Schweinfurt. Decidi ir de trem até Bamberg e de lá seguir de bicicleta cerca de 70km. Tomamos café numa dessas deliciosas "backereis" e logo estava na estrada acompanhado sempre pelo rio Main de um lado e os trilhos do trem do outro lado. Durante a viagem curtia a possibilidade de viajar de bicicleta, mas poderia ter escolhido ir de barco por um rio navegável ou ir de trem. Ou podia escolher o carro ou o ônibus. Isso é o que é mais fantástico em termos de mobilidade: haver escolhas. É tão simples e prático viajar de trem por aqui que muitos perguntam por que vou de bicicleta? Vou de bicicleta porque é possível ir de bicicleta...


café da manhã com Thomas em Bamberg

paradinha num dos vários bancos na beira do rio Main para comer algo leve e seguir viagem


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Erlangen and Nuremberg


10.09 a 12.09 Fim de semana em Erlangen e Nuremberg. Viajar de trem e bicicleta pela Alemanha é uma delícia. Leva um tempo para se acostumar com o modo de compra das passagens, o ticket especial da bicicleta, o Bahn Card que oferece desconto nos preços, os vagões, as plataformas, as conexões, depois de camelar um pouco tudo fica tranquilo e gostoso.

Cheguei de noite em Erlangen e logo encontrei o Thomas Bunke. Ele é alemão, o conheci no Dojo Harmonia onde ele treino uns dois anos enquanto fazia seu doutorado por lá. Hoje ele está por aqui e casou com uma brasileira, a Maíra. Fiquei hospedado na casa deles para onde mudaram a duas semanas. Reservaram um dos quartos para mim e no dia seguinte ainda abriram espaço na casa para receber a Andrea Khrom, minha aluna de Aikido e minha professora de alemão! Ela passou três meses pela Europa participando de inúmeros festivais de dança e achou um espaço no final da sua viagem para esse encontro com a gente.

Sábado de noite fomos jantar numa pizzaria em Nuremberg e no dia seguinte voltamos para lá de bicicleta. Uma cidade de noite. Outra cidade de dia. Lá visitamos a arena megalomaníaca que Hitler preparava para ser o palco de seus pronunciamentos. A guerra atrapalhou seus planos e o complexo de construções na cidade nunca foi terminado. A arena virou um imenso estacionamento e no centro dele apenas uma pessoa fardada: o guardador dos automóveis. Nesse mesmo lugar pegamos o último dia de uma mega-festa popular que durou um mês.

O plano em Erlangem era treinar em Rodgau mas nada funcionou e acabei curtindo os bons amigos do Brasil e descansando um pouco antes de pegar estrada para voltar aos treinos.


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Berlin


06.09 segunda. Cheguei em Berlin e encontrei minha amiga e mestra Rita Böhm na plataforma. Eu não a via há mais de 10 anos depois que ela mudou-se do Brasil para os EUA e depois para a Alemanha. Impossível pensar em não encontrá-la durante esta viagem. Berlin não é rota do Reno mas eu quis desde o início inclui-la no roteiro. Foram 8 horas de viagens e contei com o apoio da Christina e do Helmann na compra dos bilhetes na estação de Köln. Comprar passagem de trem por aqui é algo preciso e complexo. Ainda preciso de um tempo para me entender. No trem para cá o funcionário que controla os bilhetes dos passageiros se referiu a mim num alemão incompreensivel e não tinha jeito de me fazer entender. Depois de mostrar as passagens, minha e da bike, apresentei também o passaporte e ele resolveu pedir meu bank card. O que? O cartão do banco???? Bank Card! Bank Card!!! Ok. Eu abri minha carteira para mostrar meu cartão do Itaú, o cartão VISA, tava pronto para mostrar o bilhete único, o cartão da sulamerica ... Até que ele viu meio das minhas coisas o que ele queria. O Bahn Card, isto é, um protocolo do meu cartão de usuário de trem na Alemanha... Bahn Card não é Bank Card.

Fiquei no apartamento de Rita que é também o seu ateliê. Mas quando opera no modo ateliê o apartamento nao parece uma residência. Várias mesas, muitos livros, quadros por todas as paredes, papéis, tintas e pincéis para receber diáriamente alunos em turmas pela manhã e de tarde. Tem gente que chega a vir da França ou da Suiça para ter aula com ela. As quatro da tarde sentei para participar da primeira classe de sumi-e com Rita depois de muitos anos. Delícia. Paisagens, barcos, praias .. e fazia tempo que não me sentia tão feliz em rever uma pessoa querida. Já escrevi sobre Rita num post antigo do meu blog pessoal. Se quiser dê uma espiada para saber o que ela representa para mim. http://zerobueno.blogspot.com/2010/04/renina-e-rita.html

Rita Böhm

Tentei contato com o pessoal do Hub Berlin mas não consegui agendar nem um café. Escrevi, deixei o celular que estou usando na Alemanha mas não houve retorno. Até onde sei o Hub em Berlin está parado e estão discutindo sua retomada. Quase rolou um encontro com um cara do Hub Tel Aviv e seria demais, mas não rolou nada. Voltei meu foco para o sumi-e e para o aikido e foi fantástico.

7.09 terça. Rita foi uma super anfitriã. Me acomodou num canto improvisado do apartamento e estava ótimo. Pela manhã fiz nova aula e novas composições de paisagem. De tarde uma pedalada para conhecer a cidade, pelas avenidas e também pelos caminhos preferidos de quem conhece a cidade. Pedalando pelos canais, Berlin que tem alguns milhões de habitantes parece um parque. A lei que proíbe prédios com mais de 6 andares proporciona um paisagem gostosa, humana e não se vê a floresta de prédios a qual estamos acostumados em São Paulo.

Por falar em parque visitamos o Teargarten para uma cerveja e uma pausa no meio da tarde. Enquanto Rita fazia o pedido do lado de dentro eu fiz dois rabiscos na beira do lago. E estava contente com minha nova câmera, comprada minutos antes. Minha velha câmera, possivelmente enciumada com meus rabiscos no moleskine se rebelou e me deixou na mão. Quebrou em Köln e não teve negociação. Tinha a opção de ficar apenas com o bloquinho mas esta viagem não pode deixar de ser fotografada. Comprei também um mini-tripé porque as vezes fotografar a si próprio é meio embaçado...

De noite o primeiro treino. Mapa na mão e segui 7 km até o Dojo de Judith. Uma antiga fábrica com vários galpões, construída no começo do século passado. Hoje um espaço que reúne arquitetos, artistas, terapeutas e me lembrou muito o Sesc Pompéia. No 6º andar da ala 7 achei o Dojo que divide o espaço com outra escola de Aikido do Ki no Michi, uma linha criada pelo mestre Noro. Senti a qualidade do treino logo nos primeiros minutos. E não falo de técnicas, falo de uma atmosfera que também senti em Köln e Bonn. Mas havia na aula de Judith uma alegria e uma fluência que me cativou de imediato. Um tipo de energia que conheço e gosto. Depois fomos comer uma pizza, conversamos e voltei feliz pedalando por Berlin.

8.09 quarta. Nova aula de sumi-e com Rita e sempre endo apresentado como seu aluno brasileiro, mestre em Aikido, cruzando a Alemanha com sua bicicleta e seu bloquinho de desenhos.

Matando a saudade de Daia, Ziza e Toró...

9.09 quinta. Voltei para mais uma aula com Judith no seu Dojo. Às 8h15, nas quintas-feiras, ela oferece um treino especial de voz antes do Aikido. Eu até que quis participar mas a chuva fina e o frio às 7h da manhã me desanimaram. Me encapotei para seguir sob chuva para o treino das 9h00. Rita me emprestou sua calça foi perfeito chegar seco no seu Dojo. Judith me convidou para dividir com ela o treino e foi muito bom. Um treino leve, criativo, alegre e terminamos com aquela sensação de que já éramos amigos mas ainda não havíamos nos conhecido... Capisce? Depois fizemos nosso frühstuck num café português. Café Santos. E o garçon logo me perguntou se queria um galãozinho, ou seja, um pingado. Claro! Um de seus alunos também se juntou nesse café da manhã com sotaque brasileiro. Fantástico!

Com Judith no Café Santos

De noite convidei minha mestra Rita para um jantar especial. Um jeito de agradecê-la pela hospedagem na sua casa, pelas aulas de sumi-e, pela amizade e pela alegria de rever uma grande amiga. Fomos comer num italiano perto da casa dela e já era quase despedida de Berlin. Quero voltar para cá para passar umas duas semanas daqui um tempo. Para pintar, pedalar e voltar a treinar com Judith e seus alunos.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

First days in Germany

30.08 Um rápido desenho antes de sair de Xanten e em pouco mais de 30 km encontrei Kurt em frente ao Grosse Markt, Rathaus com sua barba branca e olhos azuis. Foi ele quem me sugeriu a rota de Amsterdam a Köln, seguindo pelo rio Reno. É membro da rede CouchSurf que reúne viajantes de todo mundo que oferecem e solicitam um lugar para pernoitar uma ou duas noites durante uma viagem . Me contou as histórias da pequena Rheinberg, a pequena cidade onde nasceu a bebida Underberg e onde nasceu Claudia Schiffer. Consegui fazer alguns rabiscos depois de uma deliciosa pausa para uma tradicional torta de maça. Seguimos juntos de bicicleta os 40km até Duisburg.

Duisburg é uma cidade que integra a vida agrícola com uma forte história industrial. Visitamos uma antiga fábrica de aço que hoje é um centro cultural que preserva a biografia da indústria na região.

Em sua casa preparou um tipo de ravióli servido numa sopa e conversamos bastante. Ele mora num flat pequeno para onde mudou depois que se separou e ofereceu o seu quarto para me acomodar. Achei demais mas era isso mesmo. Ele passou as duas noites que fiquei em Duisburg dormindo num colchão no quarto ao lado.escritório. Nada mal entrar na Alemanha recebido por um ciclista de 61 anos que nasceu abraçado com a bicicleta. Tomamos uma cerveja com sabor limão. Acreditem. Esse negócio vai chegar no Brasil qualquer hora. Não é ruim. É diferente. Meu cérebro demorou para entender se era limonada ou cerveja.

31.08 Na noite anterior, depois de visitar brevemente um Dojo de Aikido localizado por Kurt comemos uma pizza na rua e voltamos para casa. Acordei por volta de 10h e ele não levantava. O esperei para fazermos o desjejum mas nada. Fiquei preocupado e pois ele não se movia e não mudava de posição. Às 12h eu cheguei mais perto para ver se ele respirava. Ufa! Sabendo que ele estava vivo eu peguei minhas coisas para passear pela cidade, comer algo e deixei um bilhete comunicando que voltaria às 16h. Ao voltar ele estava todo lépido de novo e disse que foi a pizza que destruiu a noite dele. No final do dia pude agradecer pela generosidade desde as primeiras trocas de email via Couchsurf. O convidei para jantar e ele escolheu um fantástico restaurante thailandes onde comemos divinamente por um preço justíssimo!

01.09 Quarta feira. Dia de pegar a estrada novamente com destino Bonn. Planejei pedalar 100 k até Köln e pernoitar por lá pois o compromisso em Bonn seria apenas no dia seguinte. Kurt me acompanhou até um ponto do Rheno e imprimiu todas as direções para facilitar a chegada em Köln e Bonn. Antes de partir ele puxou um livro da estante. Um livro para crianças com mensagem de gente grande. Wie schon ist Panama. O livro conta a historia da amizade entre um pequeno urso e um pequeno tigre. Juntos eles decidem viajar para o Panamá e descobrem muitas coisas no caminho. Percorri o caminho do Rheno e algumas vezes peguei a rodovia B9. Calma. Pegar rodovia aqui significa ganhar tempo apenas. Há ciclovia em todos os trajetos que se escolhe pedalar por aqui. A escolha é mais natureza , o que significa mais curvas ou mais economia de tempo, o que significa viajar em linhas retas sem paisagens tão exuberantes como ao longo do Reno.

Na chegada em Köln no final do dia, recebi a mensagem de Thomas Christaller que seria bem vindo em seu Dojo até as 21h para pernoitar por lá. Peguei um trem local e me acomodei com minha bicicleta no final de um dos vagões. Foi uma viagem de pouco menos de uma hora. Seguindo as direções impressas por Kurt cheguei ao Lebenskunst um lugar dedicado ao Aikido, Yoga, Feldenkrais, Iaido e meditação Zen. Thomas foi durante muito tempo diretor de pesquisa em centros de inteligência artificial e robótica. Hoje aposentado, esta dedicado integralmente a esse lugar. Sabine é sua parceira nesse projeto e me fizeram sentir-me em casa no Dojo. Alforjes retirados da bicicleta e fomos para um pub tomar uma cerveja e conversar. Em pouco tempo aquela sensação de ter encontrado um irmão antigo. O pub fechou e a fome bateu. Thomas me convidou para conhecer um restaurante espanhol maravilhoso. Lá dividimos uma paella valenciana, vinho e a essa altura já éramos amigos de infância! O melhor de tudo é terminar a noite e voltar tranqüilo de bicicleta, sentindo o clima frio no rosto e o silencio da cidade. Adorei Bonn e tem algo de calmo e saudável por aqui.

02.09 Thomas me apanhou no Dojo para nosso breakfast e conhecer um pouco da cidade. Numa loja de eletrônicos tocada por uma família turca adquiri um celular local e comprei uma conexão para usar o netbook que trouxe comigo. Daqui para frente estou com acesso mais independente e podendo acessar a internet com mais facilidade. Seguimos para um dos seus favoritos cafés em Bonn e não contamos com Sabine que estava gripada. Ela e a filha. Até o momento do treino no fim da tarde pude pedalar pela cidade e sentar um pouco para desenhar. Almocei numa praça central, nova Kölsch e alguns rabiscos em frente a Catedral San Martin . Voltei para o treino das 5h. E das 6h. Treino bom, poucas pessoas, dogi emprestado, aikido sutil, forte e boa atmosfera. Terminamos a noite no Vapiano, uma cozinha italiana com clima alegre, novas conversas e cama. De noite conversei com Daia via skype. Matamos a saudade depois de uma semana fora de casa.

03.09 Dia de voltar para Köln e seguir viagem. Sabine logo teria uma sessão de Feldenkrais e optei por fechar os alforjes e sair cedo do Dojo. Thomas me sugeriu sentar um pouco no Café Gestrado, próximo da estação para um ultimo momento antes de tomar o trem. Tempo para escrever um pouco e tomar um expresso machiatto doppio. Um lugar sofisticado e barato para me despedir de Bonn. Na plataforma, sossegado descubro que aguardava o trem longe do vagão para bicicletas. Esbaforido para não perder o trem, corri com para acessar o primeiro vagão e relaxei. Até o funcionário do trem me pedir o ticket para o embarque da bicicleta. Esta aqui ó. Este aqui é o seu, eu quero o ticket da bicicleta. Tudo isso em alemão e com clara falta de paciência com o passageiro atrapalhado. Eu pedi orientações na compra do ticket e achei que estava tudo ok. Da próxima vez vai ser diferente.

Em 20 minutos estava novamente em Köln. Haveria um evento especial esta noite. Rosmarie Scheibler receberia o seu certificado de instrutora após 7 anos e 3500 horas de treinos. Dirk e Rosmarie estavam no no Aikido Üben Dojo quando cheguei e me deram as primeiras instruções sobre o espaço. Em pouco treino começou o treino com cerca de 40 pessoas. Muitos convidados chegando pois era um dia de celebração. Curiosidade: todos, inclusive Dirk Sensei , de faixas brancas. Gostei do silencio, da simplicidade e do esmero de todos em praticar as orientações do treino. Com todos com quem treinei, especialmente com Christina e Iris, senti uma fortes sintonia. Depois vim a saber que a primeira é co-autora do livro que acaba de lançar e a segunda era sua esposa. O treino terminou com um banquete e instante de emocionada fala de Rosmarie. Não entendi lhufas das palavras, talvez uma aqui outra ali. Mas existe uma linguagem não verbal que fala mais alto. E ouvi a gratidão dela por seus parceiros de treinos nestes 7 anos, seus pais que estavam lá e seu professor, Dirk. Foi lindo. Terminamos a noite num Pub delicioso por perto. Baunstelle. Uma brewerie, ou seja, um lugar que produz a sua própria cerveja e um clima que me lembrou Vila Madalena ou Santa Tereza.

04 e 05.09 Fim de semana em Köln. Dirk e Iris me apanharam no sábado de manhã para nosso breakfast na cidade. Sentamos num café ao ar livre com vista para a famosa Catedral. Deliciosa conversa sobre rios, pontes e torres. Dirk tem um trabalho belíssimo contruido ao longo de uma trajetória de 35 anos dedicada ao Aikido. Fantástico. Subimos os 150 metros da catedral e lá de cima arrisquei um rabisco da vista do Reno e da Igreja San Martin. Almoçamos numa famosa cervejaria e não conto o que pedimos em respeito aos meus amigos vegetarianos. Mas era bão demais!! Nos despedimos no meio da tarde e fiz umas comprinhas: um pequeno estojo de aquarela, um pincel e uma lembrança para os meus pais, água de cologne 4711 e uma cruz em metal com dizeres que pude entender em alemão, ich bin der Weg – eu sou o caminho. Acho que meu pai que é super religioso vai curtir. Numa livraria um presente para o novo amigo, o livro sobre a amizade entre um pequeno tigre e um pequeno urso. Claro!

No domingo, novo encontro. Dessa vez com Christina, a co-autora do livro de Dirk, e seu namorado Helmann que viveu 3 anos no Brasil e descobrimos que fomos vizinhos pois ele morou na Vila Gomes, próximo à USP. Novas conversas, companhia deliciosa, afinidades, risadas e passeio resto da tarde vagueando pela cidade velha de Cologne. E descobri que minha câmera fotográfica, talvez enciumada com meu carinho pelo moleskine, pifou de vez. Duvida: compro outra ou assumo o desenhar como os únicos registros da viagem ... acho que vou comprar uma baratinha por aqui.

Amanhã cedo pego o trem para Berlin onde chegarei às 15h17.


domingo, 5 de setembro de 2010

Willeim & Wessels

27.08 Acordei depois das 9h. Tempo para tomar café tranqüilo, responder alguns emails e não preparar nada especial. O tempo ainda chuvoso e a sugestão de Willeim pareceu razoável. Pegar o trem, passar o dia na cidade e tomar estrada no dia seguinte. Assim fiz. Carreguei minha mochila com meu moleskine, câmera fotográfica, guarda-chuva, canetinhas e uma calça totalmente descosturada na primeira pedalada em Amsterdam. Era a calça “boa” de viagem. Missão: achar um lugar para recuperar o estrago e costurá-la. Assim que achei a loja onde vendiam máquinas de costura senti que estava quente. Perguntei onde poderia costurar minha calça. O lugar ficava a poucos metros dessa loja e o dono era do Suriname, antiga colônia holandesa. Ao saber que eu era brasileiro ele me mostrou uma foto dele com Rivaldo. Corinthians? Camaradamente, antecipou a entrega do serviço para algumas horas depois. E me indicou onde comer bem e barato na cidade. Onde? Num chinês, claro. Depois vim a saber que era o melhor chinês de Utrecht. Se alguém um dia vier para Utrecht ou quiser sugerir esse lugar anote: Paradise.

Caminhei bastante pela cidade depois de almoçar, escolhi um café para sentar e desenhar um pouco. Mal me sentei um alegre casal se aproximou para compartilhar uma mesa num terraço.Hello hello. I’m Jose. I’m Ben. I’m Dineke. We live in Westervort, close to Arhnem. Eles contaram que vinham de um casamento em Utrecht e contei que estava tentando começar minha jornada com destino à Munique. Como chovia muito, o meu primeiro trecho foi de trem. Falei do encontro mágico com Willeim e eles falaram um pouco deles. Um casal da minha idade ou perto, alegre e comunicativo e conversamos uns 40 minutos de tudo um pouco. Assim que eles se foram eu comecei a desenhar o que via. Um canal, bicicletas estacionadas, gente pedalando pela rua, flores nos postes, prédios antigos...

Vista da cafeteria onde encontrei o casal Wessels.

Antes de voltar para casa um surpresa na caixa de correio. Um convite de Ben para participar de um jantar que prepararia no dia seguinte para alguns familiares. Me aguardariam às 18h.. A surpresa ainda maior. Que seria bem vindo para dormir no quarto do filho deles (o que estuda na Bélgica) e seguir viagem no dia seguinte, depois de um bom café da manhã. Dormi feliz com esse email no fim do dia.

Voltei para “casa” por volta de 22h a tempo de encontrar Willeim acordado. Abrimos os mapas para ver o roteiro da viagem até Arhnem. Vimos a previsão do tempo, tomamos um bom scotch e ofereci um dos charutos cubanos que trouxe para curtir em momentos especiais. Celebrei silenciosamente meus momentos em Utrecht e o encontro com holandeses absolutamente generosos.

Willeim no ponto onde ele me deixou para seguir viagem. Anjo do asfalto.

28.08 Era Sábado e Willeim acordou cedo sem precisar. Depois de preparar nosso breve desjejum contei com a companhia dele até a saída de Utrecht para Arhnem. Nos despedimos e coloquei, finalmente, minha bike na estrada. Foram cerca de 85k até chegar a casa de Ben e Dineke. No caminho teve um pouco de tudo. Chuva, vento contra, muita vaquinha, passeata de caminhões celebrando alguma coisa nacional como The Truck Day, muitas paradas para abrir mapas e checar caminhos e também tempo para filmar um pouco da paisagem que me acompanhou praticamente por todo o dia.

Cheguei para uma bela festa familiar, comida preparada por Ben e lembrei do almoço tradicional na casa dos meus pais sempre aos sábados. Mas esse que encontrei era algo raro. Feito uma ou duas vezes por ano. Um almoço de confraternização fora de hora e a razão oculta era a lembrança de mãe de Ben que faleceu há dois anos. Foi um tipo de homenagem e pretexto para reunir familiares. E eu lá. Um brasileiro recém encontrado em Utrecht e cansado da primeira etapa de pedal. Que alegria e que privilégio encontrar a família Wessels. Depois jogamos ping-pong. A noite havia a possibilidade de assistir a um show de estatuas vivas na cidade. Mas optamos por bater papo na lareira tomando um vinho. Algo melhor?

Eu, Dineke e Ben.

29.08 Logo cedo Ben checou a previsão do tempo e o céu aberto estava previsto para depois das 11h. Tomamos café e ofereceram uma carona até Emmerich a primeira cidade alemã no caminho de Xanten. Deneke alertou que era prudente levar algum lanche na mochila pois no domingo não encontraria lugares abertos no caminho. E me preparou sanduiches par viagem. Já no carro, a caminho da Alemanha, foi curioso perceber a mudança na arquitetura nas casas logo nas primeiras construções em solo alemão. Casas sólidas, maciças. Em Emmerich rabisquei a ponte que me levaria para a estrada. Enquanto tomávamos café e uma torda de maçã, o tempo mudou e chegou uma nova chuva. Dessa vez fina e com muito vento. As chuvas por aqui tem sido breves e freqüentes durante o dia. Talvez chova 10 vezes por dia, mas duram 15 minutos. Senti isso novamente logo que tomei a estrada para Xanten depois de me despedir de Ben e Dineke. E viajei lembrando das palavras que eles me disseram ao me desejar boa viagem: as pessoas que você tem encontrado são espelhos de quem você é...

Checando a meteorologia para o dia.

o lindo jardim da casa dos Wessels

Aproveito aqui para lembrar um conto que ouvi do prof. Basílio da Palas Athena.

Um viajante chega a um vilarejo e conversa com alguém local:

- Como são as pessoas daqui?

- Antes de responder gostaria de saber uma coisa. Como são as pessoas da cidade de onde você vêm?

- Ah, de onde eu venho as pessoas egoístas, intolerantes e rudes.

E o homem da cidade responde:

- Aqui você encontrará o mesmo tipo de pessoas.

Passados alguns dias, um outro viajante chega ao mesmo vilarejo e também curioso pergunta:

- Como são as pessoas daqui?

E ele responde igualmente ao viajante.

- Antes eu gostaria de saber uma coisa. Como são as pessoas da cidade de onde você vêm?

- Ah, de onde eu venho as pessoas são amáveis, gentis e solidárias.

E o homem da cidade responde:

- Aqui você encontrará o mesmo tipo de pessoas.

Em duas horas cheguei a Xanten. Era domingo e havia uma feira de artesanato, comida e música na cidade. Depois de me acomodar no Gästehouse, um tipo de hotelzinho popular volteir à feira para comer algo por lá. Escolhi a barraca do Lyons Club onde três diretores de alguma empresa da região faziam a comida. Lecker! Era o dia e lugar perfeito para parar em alguma mesinha e desenhar algo. De noite vagueei pela cidade para achar algum lugar acessar a internet. Nada. Foi no saguão de um hotel onde me permitiram acessar um computador para checar emails. E lá estava a mensagem de Kurial, um ciclista que conheci via Couch Surf e na sua mensagem ele confirmava: - Aguardo por você às 11h30, em frente a Rathaus, em Rheinberg.